Falta de empatia mata 522 motociclistas no trânsito paulistano, de janeiro a junho


2 a 3 motociclistas perderam a vida no trânsito paulistano no primeiro semestre de 2024, foram 522 ao todo. Sou instrutor de trânsito e tenho clareza que a causa das mortes está diretamente associada à falta de gentileza e empatia de todas as partes.

A falta de políticas públicas são consideradas vilãs dessa carnificina, mas para mim, as leis, regras e limites são suficientes se conseguíssemos sensibilizar as pessoas de que a vila vale mais que o cumprimento do horário ou qualquer outro argumento que seja usado para justificar a pressa.

E poderia ter sido pior se não fosse as faixas azuis em importantes corredores da cidade, mas olha que interessante: As faixas azuis exclusivas têm sido tratadas como intransponíveis por outros veículos. Tente mudar de faixa, especialmente nos horários de pico e prepare-se para os xingamentos de toda natureza.

Onde elas não existem o estreitamento do corredor pode custar a arrancada do retrovisor com chutes, e nestes casos não é raro perseguição e vias de fato como consequência da falta de gentileza e empatia.

Claro que a recíproca vinda dos automóveis, especialmente os maiores, é verdadeira. Os motociclistas sofrem com a falta de sinalização de conversão e manobras, o excesso de velocidade também dos carros e especialmente a falta de paciência.

Enquanto os piores sentimentos humanos encontram espaço nas reações do trânsito, vidas de pedestres e motociclistas, prioritariamente,  vão sendo ceifadas todos os dias.

Não falta legislação, falta humanização. Falta a capacidade de proteger o mais frágil na relação de forças presente no trânsito. Falta disposição de poupar a vida do outro, e claro que essa indisposição de poupar a vida cabe a todos, em duas ou quatro rodas.


Sydnei Ulisses